domingo, 15 de janeiro de 2017

Michael A. Hoffman II: O homem moderno

“Quem é então o homem moderno? É um manipulado com a mente bombardeada, que recebe suas ordens para marchar de palavras-chave em "linguagem crepuscular" borrifadas de todos os "seus" noticiários televisivos. Enquanto dança de acordo com a música da elite gestora do comportamento humano, ele zomba com grande escárnio da idéia da existência e funcionamento de uma tecnologia de controle mental em massa que emana dos meios de comunicação e do governo. O homem moderno é o hipnotizado ideal: envaidecido com a idéia de ser o ápice da criação, ele nega veementemente o poder de controle do hipnotizador, enquanto sua cabeça balança para cima e para baixo numa corda.”

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Dom Tomás de Aquino: Orgulho ou preconceito?


“A revista VEJA publicou uma matéria sobre as controvertidas cerimônias realizadas no mosteiro da Santa Cruz (Nova Friburgo – RJ) entre as quais a de maior importância foi a sagração episcopal de Mgr Jean-Michel Faure. Esta sagração feita por Mgr Richard Williamson foi seguida da ordenação sacerdotal do Irmão André Zelaya de León, da Guatemala, monge de nosso mosteiro há mais de vinte anos. Ambas cerimônias foram apresentadas como atos de rebelião. Aliás, o título do artigo é: “Rebelião no altar”, artigo que se termina da seguinte maneira: “O francês Faure, cheio de orgulho, tem até apelido para o racha: La Resistance”. Orgulho mesmo ou preconceito da revista? Eis a questão.
Orgulho se pode tomar em dois sentidos. Ou será o senso da dignidade de sua condição como quando um filho da Santa Igreja se declara, com justo orgulho, católico, apostólico, romano. Ou será um vício, um pecado; pecado de rebelião contra Deus. O pecado de Lúcifer.
Talvez o autor do artigo quisesse deixar ao leitor a escolha, já que o jornalista da VEJA foi bastante cordial conosco, embora o tom geral do artigo indique de preferência o sentido de revolta. Seja como for, a pergunta permanece: orgulho de Mgr Faure, de Mgr Williamson e dos monges de Santa Cruz ou preconceito contra eles? A questão continua não respondida.
Retrocedamos no tempo, pois assim fazendo encontraremos o fio de Ariane que nos tirará do labirinto em que a crise atual da Igreja nos lançou, e nos fornecerá o necessário para responder à pergunta já feita. Retrocedamos até a Reforma protestante e ao declínio do Cristianismo na Europa e no mundo. Declínio contra o qual lutaram vitoriosamente, mas só por um tempo, o Concílio de Trento e os grandes santos da Contra-Reforma. Duas forças se chocaram então e se chocam até hoje. Uma nova religião que põe o homem no centro da civilização e combate a Igreja Católica antes de combater Nosso Senhor Jesus Cristo em pessoa para terminar negando a existência de Deus, com o marxismo, e mesmo corrompendo a eterna noção de Verdade com o Modernismo, condenado por São Pio X.
Dois mundos, dois amores; o amor de Deus levado até o esquecimento de si, e o amor de si mesmo levado até a negação de Deus. Dois mundos, duas forças, duas correntes históricas que se opõem há mais de cinco séculos. Qual das duas é movida pelo orgulho? Eis mais do que uma pista para encontrarmos a resposta à nossa pergunta inicial.
Aprofundemos pois a pista já indicada e entremos na atualidade, ou melhor, na história recente da Igreja. Falemos de Vaticano II. Os Papas do século XIX e do século XX até a morte de Pio XII haviam condenado o Liberalismo Católico dos que queriam a união da Igreja com os princípios da Revolução Francesa. Não só o Liberalismo mas também o Modernismo, o Neomodernismo, o Progressismo e demais erros modernos haviam sido devidamente condenados. A Igreja Católica dizia e dirá sempre “não” a estes erros.
Porém o velho sonho dos mais cruéis inimigos da Igreja realizar-se-ia. Um Concílio consagraria os teólogos modernistas, liberais e progressistas. Este Concílio foi o Concílio Vaticano II. Mas dois Bispos permaneceram fiéis e denunciaram este Concílio. Mas só dois? Não é pouco demais? Para um mundo que preza mais a quantidade do que a Verdade, dois é igual a nada. Mas em questão de doutrina não é o número que conta, e as doutrinas apregoadas pelo Vaticano II já haviam sido condenadas por Gregório XVI, Pio IX, Leão XIII, São Pio X, Bento XV, Pio XI e Pio XII para citar apenas alguns da longa série de Papas que dista de São Pedro a Pio XII, os quais guardaram o depósito da Fé que lhes havia sido confiado por Deus Ele mesmo.
Mas o que isso tem que ver com a sagração do 19 de março de 2015 em Nova Friburgo? Isto tem tudo que ver com essa sagração, já que Mgr Williamson foi ele mesmo sagrado por estes dois bispos fiéis à Tradição bimilenar da Igreja. Estes dois bispos são Mgr Marcel Lefebvre e Mgr Antônio de Castro Mayer.
Contudo, eles sagraram Mgr Williamson, assim como Mgr Fellay, Mgr Tissier e Mgr de Galarreta, contra a vontade de João Paulo II em junho de 1988? Sim, é verdade. Logo eles são uns rebeldes e uns orgulhosos? Não. A verdade não se deixa encontrar tão facilmente assim. Desobedecer ao Papa pode ser, em casos extremos, um ato de virtude, enquanto que obedecê-lo pode ser, em casos extremos, um pecado. “Quem faz o mal porque lhe ordenaram, não faz ato de obediência, mas de rebelião”, diz São Bernardo.
A rebelião no altar não se deu em Nova Friburgo, no dia 19 de março. Se aprofundarmos a questão veremos que a rebelião no altar se deu não em Friburgo, mas em Roma desde o Concílio até hoje.
Quem duvidar do que afirmamos, que estude os livros que falam da crise atual e lá verão que o próprio Cardeal Ratzinger, futuro Bento XVI, afirma que o Vaticano II foi um “contra-Syllabus”, ou seja, que ele vai contra o ensinamento do Magistério da Igreja, contra uma doutrina já definida pelos Papas anteriores.
Não! Mgr Faure não falou com orgulho, ou melhor, falou com justo orgulho de defender este Magistério infalível da Igreja contra os erros de Vaticano II. Mas como um Concílio pode ensinar erros? Eis a grande pergunta. Leiam pois as obras de Mgr Marcel Lefebvre. Estudem, aprofundem-se na Fé, pois o mal é grande e a abominação da desolação foi posta no lugar santo. Portanto, a revolta no altar não está no mosteiro da Santa Cruz. A revolta no altar está – é triste repeti-lo – no Vaticano.
Mas quem nos crerá? Orgulho nosso ou preconceito da VEJA? Só estudando. Só rezando. Sem oração e estudo ninguém poderá encontrar a resposta. Ela está ao alcance de quem a procura, mas antes de tudo é preciso procurá-la. O que já dissemos é o suficiente por ora. Agora, caro leitor, lhe cabe a sua parte, caso deseje tirar a limpo se é orgulho nosso ou preconceito da VEJA chamar-nos de rebeldes. Bom trabalho.”

http://avozdaserra.com.br

domingo, 8 de janeiro de 2017

O caçador de padres

“A Irlanda é uma nação antiga com uma longa memória. Os católicos da Irlanda (católicos de verdade, não os Loucos Novus-Ordo) olham para Bergoglio e instintivamente dizem, ‘caçador de padres’. O fenômeno histórico do caçador de padres está entranhado na memória coletiva da Irlanda católica. Os caçadores de padres eram geralmente padres apóstatas pagos pelos protestantes ingleses que traíam os padres fiéis informando e testemunhando contra eles – para que fossem condenados por ‘traição’ e depois enforcados-arrastados e esquartejados-estripados (vivos).
Jorge Bergoglio prega uma religião sem fé sobrenatural e sem uma lei moral objetiva – uma religião que se opõe diretamente à autoridade do Deus revelador.
Os Papas Conciliares presidiram ao longo e prolongado deslizamento em direção à apostasia. Bergoglio, contudo, não tem sequer o pequeno núcleo da semente de mostarda de fé dos Papas Conciliares; daí ser ele o indicado pela Maçonaria para presidir à demolição controlada da Igreja Católica. Membros de alta hierarquia do Time Bergoglio já deixam saber discretamente que o sínodo de outubro será a ocasião de demolir o que resta da tradição católica na “Igreja conciliar”.
Então o Pagão Infiel rasgará sua máscara, o “Pontífice” se transformará no Caçador de Padres – e virá a provar-se que os católicos irlandeses tinham razão com a transição de Bergoglio de ‘Sumo Sacerdote’ para ‘Grande Lorde Executor’.”
(Pe. Paul Kramer, em postagem no Facebook)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Pe. Kramer: Por que a renúncia de Bento XVI foi inválida


“Bento XVI explica:
O múnus do ofício petrino é duplo – ativo e passivo. O ministério ativo “agendo et loquendo” e o ministério passivo “patiendo et orando” ambos pertencem essencialmente ao múnus papal: "Bene conscius sum hoc munus secundum suam essentiam spiritualem non solum agendo et loquendo exsequi debere, sed non minus patiendo et orando."
Ele expressamente retém o exercício passivo do múnus, i.e o serviço passivo do ofício petrino: "Non porto più la potestà dell’officio per il governo della Chiesa, ma nel servizio della preghiera resto, per così dire, nel recinto di san Pietro."
Em 19 de abril de 2005, Bento assumiu o múnus, i.e o serviço do ofício petrino que é “para sempre”: "La gravità della decisione è stata proprio anche nel fatto che da quel momento in poi ero impegnato sempre e per sempre"; e sua decisão de renunciar ao exercício ativo do ministério não revoga aquele: "La mia decisione di rinunciare all’esercizio attivo del ministero, non revoca questo."
É impossível para o papa renunciar apenas ao exercício ativo do ministério petrino e entregá-lo a um sucessor, pois seria o mesmo que tentar dividir um ofício que é indivisível. Daí que a tentativa do Papa Bento de dividir o papado, de acordo com a fórmula proposta por Karl Rahner de dividi-lo entre dois ou mais indivíduos, necessariamente resulta em um ato juridicamente inválido, pois o ofício do sumo pontífice não pode ser dividido da mesma maneira que o ofício episcopal é às vezes dividido em outra diocese entre o ordinário da diocese e um coadjutor com poder de governança.
O motivo por que isso é impossível é que o papa, em virtude da plenitudo potestatis de seu ofício, pode privar um ordinário de sua jurisdição e entregá-la a um coadjutor; ao passo que o ofício papal é indivisível – e portanto o ofício e seu poder de governança só podem residir totalmente em um sujeito que é o Pontífice Romano. A questão da indivisibilidade do ofício papal está resolvida na doutrina católica desde que Domenico Gravina deu a última palavra sobre a questão em 1610, que tem sido unânime e indisputada desde então.
“Ao Pontífice, enquanto uma e única pessoa, foi dado ser a cabeça” e “O Pontífice Romano por enquanto é um, portanto ele sozinho detém a infalibilidade.” – Domenico Gravina, O.P em De supremo Judice controv. Fidei et de Papae Infallib. em Decret. Fidei, Morum, etc, quaest. 1, apud Rocaberti, Bibliotheca Maxima Pontificia, 1695-99, tom viii, 392.”
(Pe. Paul Kramer, em postagem no Facebook)

domingo, 1 de janeiro de 2017

Béla Bartók: Concerto para Piano e Orquestra n° 3


I. Allegretto
II. Adagio religioso
III. Allegro vivace

András Schiff, piano
Sir Mark Elder
Hallé Orchestra

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

O tédio na Idade Média: rabiscos de 800 anos atrás

"A mania de rabiscar nas margens dos livros durante os momentos de tédio é tão antiga quanto a própria leitura, e nem sequer alguns dos manuscritos mais antigos conservados até hoje estão livres da mão ociosa de algum escriba.
Erik Kwakkei há anos estuda os rabiscos e esboços em manuscritos e livros antigos. Segundo Kwakkei, pode-se obter mais informação sobre a origem do escriba e sua educação a partir dos rabiscos do que estudando o estilo no qual foi escrito o livro, muitas vezes circunscrito às normas locais e à ordem religiosa onde a obra foi escrita. Não obstante, quando o tédio deixava a mente livre, estes escribas esboçavam, através dos seus rabiscos, rostos e outras figuras em um estilo que resultava mais natural, tornando, assim, possível desvendar a origem do autor.
Ainda que muitas das descobertas de Kwakkei não passem de testes para ver se uma determinada pena estava escrevendo bem ou para saber se tinha tinta suficiente, alguns outros rabiscos mais elaborados mostram que quando o tédio está à espreita não há nada que se possa fazer. Alguns dos rabiscos foram feitos em livros que haviam sido escritos séculos antes."
Fonte: Perplexos

sábado, 24 de dezembro de 2016

Pásztorok, pásztorok...


Pásztorok, pásztorok örvendezve
sietnek Jézushoz Betlehembe.
köszöntést mondanak a kisdednek,
ki váltságot hozott az embernek.

Angyalok szózata minket is hív,
értse meg ezt tehát minden hű szív:
a kisded Jézuskát mi is áldjuk,
mint a hív pásztorok magasztaljuk.

Üdvöz légy, kis Jézus, reménységünk,
aki a váltságot hoztad nékünk.
Meghoztad az igaz hit világát,
megnyitod Szentatyád mennyországát.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Sagração de Dom Faure: entrevista com o prof. Carlos Nougué


Entrevista com o professor Carlos Nougué feita pelo confrade Eugênio Lima, fiel da Resistência, conforme publicada no blog Borboletas ao Luar.

"Fiz algumas perguntas simplórias ao Prof Carlos Nougué, para auxílio dos fiéis da tradição e certeza do combate aos fiéis da resistência. Simplórias não pela capacidade do Prof. em responder, mas pela incapacidade dos fiéis, às vezes, de compreender.
1) Quais as conseqüências desta sagração?
RESPOSTA. O fortalecimento da Resistência à abominação da desolação instalada no lugar santo e às tentativas de entregar qual Judas, por 30 dinheiros, a tradição aos hereges instalados na hierarquia da Igreja. Trata-se, claro, das tentativas da Neo-FSSPX.
2) Os bispos e os fiéis sofrerão pena de excomunhão justa de fato?
RESPOSTA. Uma excomunhão feita por hereges não só não é justa, mas é inválida; inexiste. Esta é tão inválida como a feita contra Dom Lefebvre e seus quatros bispos.
3) O estado de necessidade, como se aplica nessa situação?
RESPOSTA. Como sempre se aplicou: enquanto a hierarquia for herética, temos por necessidade de salvaguardar a fé e o sacerdócio. E fazemo-lo, como diz o Mandato Apostólico escrito e lido na sagração por Dom Williamson, com a esperança de um dia depositar todos os nossos atos nas mãos de um papa outra vez verdadeiramente católico.
4) Qual o caminho futuro da Igreja?
RESPOSTA. Creio que só Deus o sabe.
5) Existe esperança de Roma abdicar do modernismo e voltar a fé?
RESPOSTA. Humanamente falando, não. Mas, se Deus submergir o mundo no terrível castigo que este merece já há muitos séculos e cada vez mais, quem sabe?
6) Ou esse é um caminho sem volta?
RESPOSTA. São segredos da providência divina. Mas dou-lhe meu parecer (apenas uma opinião): já se cumpriram os sinais que, como profetizado nos Evangelhos, antecedem o último e terrível Anticristo: a apostasia geral das nações e a abominação da desolação instalada no lugar santo (ou seja, a heresia instalada na hierarquia católica). Mas atenção: isto não quer dizer que devamos ficar parados. Ao contrário, e digo-lhe o que vemos todos por aqui: a Resistência cresce a um ritmo inesperado; o que Deus nos prepara, só ele obviamente o sabe. Mas não devemos, como quer que seja, entristecer-nos pelo fim dos tempos. Ao contrário, devemos rezar com os apóstolos: Maranata, Vinde Senhor Jesus – mas vinde logo, para levar-nos enfim à nossa verdadeira Pátria, a Jerusalém Celeste.
Um abraço, espero ter ajudado de alguma forma, e fique com Deus.
Carlos Nougué”

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sábado, 17 de dezembro de 2016

A eleição de Trump


“A coisa essencial a dizer sobre a eleição no mês passado de Donald Trump como o próximo presidente dos Estados Unidos é que é uma suspensão temporária dada por Deus depois de anos e anos de governo liberal, mas a menos que o próprio povo americano se volte seriamente para o Deus Todo-Poderoso, então essa suspensão será varrida por um retorno dos liberais que se dará com toda a força para destruir os Estados Unidos de uma vez por todas, tal como Hilary Clinton faria se tivesse sido eleita.
Ora, é verdade que muitas pessoas hoje não pensam na política a relacionando a Deus Todo-Poderoso, mas esse é exatamente o problema. Excluí-Lo da vida, especialmente da política, tem sido uma cruzada para maçons e liberais desde o final do século XVIII, que foi deles. O libertar-se de Deus tem sido a cruzada de sua religião substituta, o humanismo secular. Do mesmo modo, no século XX, o comunismo com ou sem este nome triunfou contra a natureza em todo o mundo porque age como uma religião, sendo, como diz Pio XI, o messianismo do materialismo. E o liberalismo e o comunismo são a razão pela qual todo o mundo ocidental se tem inclinado para a esquerda por centenas de anos.
E isso explica sem dúvida por que um grande número de eleitores na eleição americana votou na candidata que perdeu. Ela era conhecida em toda a nação por suas mentiras, imoralidades e traições. Seu registro criminal era notório, incluindo a suspeita de ter sido responsável com seu marido pelo assassinato de mais de cinquenta homens e mulheres que se puseram no caminho de sua ambição e de suas carreiras. Como alguém medianamente decente poderia ter até mesmo pensado em votar nela, e que dizer da metade dos americanos ter votado (ela não venceu no Colégio Eleitoral)? O próprio Paul Craig Roberts, excelente comentarista da cena poltica americana, ficou perplexo com essa questão. A resposta que falta é certamente que aquela mulher encarnou a guerra contra Deus. Para os liberais, a liberdade é a sua religião. Que ela quebrou orgulhosamente todos os mandamentos de Deus foi um argumento não contra ela, mas a favor. Ela é uma santa do liberalismo.
Pois bem, seu conquistador, Donald Trump, não é, aparentemente, um homem especialmente piedoso, e ele ainda é liberal de várias maneiras – quem não é? – mas ele tem dentro de si uma boa dose daquela decência e generosidade antiquadas que costumavam ser típicas dos melhores na América e nos americanos. Portanto, ele está instintivamente contra pessoas ímpias, e depois de anos e anos de liberais presunçosos sob uma série de presidentes liberais a pisotear todos os americanos decentes, ele teve o suficiente, e entrou na política “para devolver a este país um pouco do que ele me deu”. E depois dos mesmos anos e anos do que de fato vinha sendo um sistema unipartidário, porque não havia desde o tempo do governador Wallace “um centavo de diferença entre os republicanos e os democratas”, Trump sacudiu o sistema, deu voz à frustração do povo, e uma multidão de almas decentes elegeu-o para o cargo. Mas o Sistema está furioso.
Portanto, ele deve agora pensar muito bem. Tornou-se presidente eleito com a força de instintos decentes contra a ideologia liberal. Mas isso é um êxito passageiro, porque lutar contra a ideologia com instintos é como combater tanques com uma zarabatana de atirar ervilhas. Para lutar contra uma ideologia falsa é preciso uma ideologia verdadeira e, para lutar contra a guerra a Deus é preciso paz com Deus, que dependerá dos termos de Deus e não dos homens. Ora, Deus é todo-poderoso e infinitamente bom, e pode desfazer o pior que seus inimigos podem tentar fazer contra Ele com o simples toque de Seu dedo mindinho, por assim dizer. Mas Ele não vai conceder a vitória sobre a Sinagoga de Satanás se sabe que as pessoas que está salvando vão voltar direto para Satanás. As pessoas devem afastar-se de Satanás e retornar sinceramente a Deus, que não pode ser enganado.
No mínimo o próprio Donald Trump deve orar – ACTS – com Adoração, Contrição, Ação de Graças (Thanksgiving) e Súplica. Deus tem estado com ele, para conceder essa suspensão. Incluamos todos a ele e ao Presidente Putin em nossas próprias orações, para prolongar a suspensão. De outro modo, logo ela poderá acabar.”
(Mons. Richard Williamson, Trump’s Election)

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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Que se pode esperar da interpelação dos cardeais “rebeldes”?


“A parte sã do catolicismo tomou conhecimento, possuída de um sentimento misto de surpresa e conforto, da interpelação dirigida ao santo padre por quatro cardeais a propósito de problemas de teologia moral suscitados pela exortação pós-sinodal Amoris Laetitia. A solene interpelação, que restou ignorada pelo destinatário, consistiu nas dubia referentes, basicamente, a duas questões: podem ou não os divorciados “recasados” civilmente receber os sacramentos da confissão e da eucaristia; há ou não há ações intrinsecamente más, ou seja, há normas morais absolutamente obrigatórias independentemente das circunstâncias?
O motivo da surpresa da parte sã do catolicismo diante da reação dos cardeais à revolução bergogliana é que os eminentes purpurados são eclesiásticos que, ao que consta, jamais manifestaram uma discordância quanto ao curso percorrido pela Igreja desde o Vaticano II. Aliás não seriam criados cardeais pelos papas da Igreja conciliar.
Quer dizer, são dignitários que aceitam, por exemplo, a Gaudium et spes, documento conciliar que introduz uma mudança na doutrina da Igreja sobre a hierarquia de fins do matrimônio (o que, sem dúvida, favorece a ideia tão cara aos católicos modernos, de aceitar a possibilidade de reconstruir uma vida feliz após o fracasso de um primeiro casamento, esquecidos do dogma da indissolubilidade do vínculo). São cardeais que aceitam Dignitatis humanae, a declaração conciliar sobre a liberdade dos cultos, que dá primazia à consciência errônea sobre a verdade objetiva. Declaração que escarnece o bem comum da sociedade representado pela unidade do povo cristão em torno da religião católica como sua alma. Declaração que, em germe, contém os erros flagrantes da exortação pós-sinodal ora impugnada.
São cardeais que aceitam do mesmo modo a nova exegese proposta pela Dei Verbum, que nega a inerrância absoluta da Sagrada Escritura, restringe a divina inspiração bíblica às verdades salvíficas e adota a teoria protestante de uma única fonte bíblica da revelação. De maneira que, nesta perspectiva, os purpurados autores da interpelação contra o pontífice, em princípio, não são teólogos da tradição em sentido estrito.
Em suma, os interpelantes aceitam perfeitamente o concílio, o espírito do concílio, a reforma litúrgica, o ecumenismo, o espírito de Assis, a nova eclesiologia da Lumen gentium, com a sua infeliz expressão subsistit. A qual expressão também favorece os erros que consideram encerrados em Amoris Laetitia, na medida em que diz que a Igreja de Cristo é constituída pelas igrejas cismáticas que há milênios aceitam as orientações da exortação de Francisco I.
De modo que o motivo da surpresa ou espanto é que os senhores cardeais sabem apontar os problemas doutrinários da exortação pós-sinodal sem, todavia, verem a relação dos mesmos com o Concílio Vaticano II, quando Francisco I, com toda razão, diz seguir o concílio e o caminho traçado por seus predecessores. É realmente desejável que os cardeais interpelantes verifiquem que há tal relação e se lembrem de que um pequeno erro no princípio se torna grande no fim. Se é que se pode dizer que os erros do Vaticano II são pequenos!
Com efeito, acode-me à memória a história do rei Acab. Diz o III livro dos Reis que quando o Senhor quis induzi-lo em erro consultou todo o exército do céu e perguntou quem enganaria a Acab. Então o espírito maligno se adiantou e disse: “Eu o enganarei”. E o Senhor lhe disse: “De que modo?” E ele respondeu: “Eu sairei, e serei um espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas”. E o Senhor disse: “Tu o enganarás, e prevalecerás: Sai, e faze-o assim.”
O Doutor Santo Agostinho comenta a passagem bíblica dizendo que “era justo que Acab, que não tinha crido no Deus verdadeiro, fosse enganado pelo falso.”
O que quero dizer é que todos os teólogos que desprezaram ou relativizaram o alto alcance da Pascendi de São Pio X e não quiseram ouvir a Humani generis de Pio XII, mas aderiram à Nouvelle Theologie e constituíram a “linha média” da Igreja pós-conciliar, e motejaram dos católicos da tradição como uns estouvados, uns exagerados e radicais que não sabiam interpretar bem o Vaticano II, e hoje estão perplexos com a desenvoltura de Francisco I, foram merecidamente enganados pelo espírito mentiroso por uma especial permissão divina, justamente por terem desprezado, por exemplo, o alcance do magistério tradicional e menoscabado daqueles que, como Dom Lefèbvre e Dom Antonio de Castro Mayer, (a quem acusavam de ser rebeldes e cismáticos, as mesmas injúrias que hoje são assacadas contra eles) diziam que as inovações do Vaticano II levariam à ruína da Igreja.
Sem dúvida, a linha média, que hoje se sente enganada e escandalizada com as atitudes de Francisco I, paga o preço da aliança que fez com a ala mais radical da Nouvelle Theologie para vencer, nos embates do concílio Vaticano II, os católicos que queriam permanecer fiéis aos anátemas lançados pelos grandes papas contra o liberalismo e o modernismo. Na verdade, queriam o aggiornamento. Mas agora não querem colher seus frutos mais amargos.
Bem sabemos: Nosso Senhor não abandona a sua Igreja. Não permitirá que o espírito mentiroso chegue a destruí-la. Serve-se dele apenas para castigar os infiéis. Este é o nosso conforto.
De modo que cremos que Deus Nosso Senhor, por intercessão da Imaculada Conceição, poderá conceder a todos os católicos da linha média, que hoje estão escandalizados, a graça de que cessem de ouvir os falsos profetas inspirados pelo espírito mentiroso, tomem consciência dos problemas não só da exortação Amoris Laetitia mas também dos “pequenos erros” do Vaticano e de todas as problemáticas reformas pós-conciliares.
Mas se acolherem essa graça terão de sofrer como Miqueias, o profeta verdadeiro desprezado por Acab. Miqueias foi condenado à cadeia e a ser sustentado com o pão de tribulação e a água de angústia. Semelhante sorte parece reservada aos quatro cardeais, pelo que disse há pouco o presidente da Rota Romana.
Tenho esta esperança. Rogo a Deus pelos cardeais interpelantes.
Oxalá possa alguém escrever sobre eles um livro semelhante àquele que há muitos anos atrás foi escrito por Dr. Ricardo Dip: “Monseigneur Marcel Lefèbvre: rebelde ou católico?”

http://santamariadasvitorias.org