segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Os adversários da nossa segurança


"Todos os 210 milhões de brasileiros têm consciência de que sua vida pende do fio da casualidade. Basta estar no lugar errado na hora errada. Esta independe do que diga o relógio, aquele pode ser qualquer um. No entanto, parece passar despercebido o fato de que a totalidade dos quase 60 mil homicídios/ano no Brasil são praticados por criminosos fora das grades, soltos nas nossas ruas. As prisões estão lotadas e os homicidas em liberdade matam nessa proporção!
Aliás, se somarmos os homicídios cometidos por ano em toda a Europa, mais Rússia, China, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Nova Zelândia e acrescentarmos ainda alguns países do Oriente Médio, não se chega aos 59.080 homicídios intencionais ocorridos no Brasil em 2015, último ano com resultados consolidados pelo IPEA no Atlas da Violência 2017. É o maior número entre os países do globo! O terrorismo mata muito menos que a criminalidade nacional, a mais homicida do planeta.
Por outro lado, relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) divulgado em 2016 informou que 7,9% das pessoas entrevistadas no Brasil pela pesquisa Better Life Initiative reportaram terem sido vítimas de assalto nos 12 meses anteriores. Essa taxa é o dobro da média dos países pesquisados e sugere um número de ocorrências contra o patrimônio da ordem de vários milhões anuais. E ainda aparece gente para sustentar que temos presos em excesso! O que há no Brasil é um número inacreditável e intolerável de bandidos de todas as “especialidades” que precisam ser capturados, julgados, encarcerados e permanecerem presos até o cumprimento total de suas penas, para o bem da sociedade.
Estou falando dos inimigos públicos que atuam diretamente contra a vida e o patrimônio alheios. Mas a lista dos adversários da nossa segurança precisa acrescentar:
• os desencarceramentistas, para os quais, se a cadeia não reeduca, então deve abrir as portas;
• os bandidólatras (no dizer do excelente livro Bandidolatria e Democídio), para os quais os bandidos são agentes de transformação social e vítimas da sociedade, indivíduos dos quais não se poderia exigir outra conduta;
• os garantistas instalados no Poder Judiciário e em outras instituições e órgãos do Estado, que não se sentem comprometidos com a segurança da população, dado não ser sua função evitar que crimes ocorram, o que os faz moralmente responsáveis por muitos que poderiam ser cautelarmente evitados;
• os inimigos da redução da maioridade penal, que lacrimejam ante a simples possibilidade de que um brutamontes de 17 anos, estuprador e assassino, não seja tratado com as benevolências devidas a um reeducando em instituição socioeducativa;
• os defensores do desarmamento, manipuladores de estatísticas, maus leitores dos bons exemplos internacionais, acocorados no mundo da lua, exclamando que a terra é azul;
• os políticos alinhados ou influenciados por uma ou por todas essas correntes, que para nosso azar abandonaram o sistema penitenciário e a lei penal à própria sorte, criando o caos que serve esplendidamente aos criminosos;
• os defensores dos direitos humanos dos bandidos, sempre alertas para protegê-los ou a pranteá-los com enlevos e aconchegos maternais, jamais interessados nas inocentes vítimas de sua cupidez, violência e perversões;
• os inimigos ideológicos da atividade policial e da necessária repressão ao crime, corregedores avulsos de cada operação policial, responsáveis por muitas mortes de agentes da lei cujo gatilho tardou em ser acionado com receio da repercussão.
Todos, a seu modo, desservem à sociedade e ampliam, direta ou indiretamente, a insegurança de nosso cotidiano."
(Percival Puggina, Inimigos Públicos nº 1, 2, 3, 4)

http://puggina.org

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

A peste separatista


"Assim como o demônio faz as panelas mas esquece as tampas, os organizadores da nauseabunda intentona secessionista na Catalunha devem ter omitido o caráter da data escolhida para iniciar a marcha até a ruptura: o 1º de outubro, desde os tempos do papa Leão XII e por petição do infausto rei dom Fernando VII já livre do cativeiro napoleônico, tem sido o da comemoração do Anjo Custódio da Espanha.
Que haja anjos protetores das nações como os há dos indivíduos é coisa que está em nosso acervo religioso, com suficiente fundamento escriturístico no capítulo X de Daniel, onde se fala de Miguel como protetor da nação israelense, e onde se faz também alusão ao anjo da Pérsia. A partir deste dado revelado e das posteriores e fecundas indicações paulinas, a angeologia tributária do Aeropagita situará no sétimo coro angélico os principados como guardiães das nações. Que esta lição tenha sido esquecida, soterrada sob múltiplos estratos de indiferença, ignorância, estupidez e vacuidade, é consequência mais que apropriada a tempos como os que correm, de consumada idolatria das paixões e de um transbordamento da superbia vitae que ignora o governo providencial do universo, do qual os anjos são agentes os mais eficazes. Não menos providencial (fazemos votos) pode tornar-se a amnésia que a este respeito têm demonstrado os demolidores da unidade da Espanha, com o anjo instigado a lidar, envolto em pele de touro, contra o antigo inimigo e seus atuais representantes. E embora nos pareça bem pouca coisa apelar à constituição e à democracia para opor-se adequadamente à Revolução, e embora dissone não pouco a presença de um Vargas Llosa como orador da salutífera reação, a convocação a 'recobrar a sensatez' torna-se pouco menos que balsâmica nestes dias que são os da colheita dos frutos do solipsismo cultivado ao longo de toda uma época histórica, dias do nec plus ultra da atomização das sociedades, nos quais a autoafirmação conflui com a autodestruição em paradoxo mais aparente que real.
Pressagia-se um 'efeito de contágio' em muitas outras regiões do globo afetadas por semelhante morbo secessionista, justamente no tempo em que os mísseis intercontinentais se tornaram objeto de exibição. As 'guerras e rumores de guerras' em todas as esferas, desde a doméstica até a supranacional, tornaram-se o sinal invariável da demência antropolátrica. Aquém de toda remissão fácil do caso à natureza humana, resta claríssimo, a quem escrute a história com um mínimo de acuidade, que as guerras se têm multiplicado extraordinariamente desde que as elites no poder decidiram o mesmo que os judeus há dois mil anos: 'não queremos que Este reine sobre nós'. Não é utópico afirmá-lo, porque terá lugar com a Parusia: deste horror se sai instaurando tudo em Cristo."

https://in-exspectatione.blogspot.com.br

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Profecia do Pe. Nectou (século XVIII): guerra civil na Inglaterra e na França e a destruição de Paris


"A confusão será tão generalizada que os homens não serão capazes de pensar direito, como se Deus tivesse afastado sua Providência da humanidade, e que, durante a pior crise, o melhor que se poderá fazer será permanecer onde Deus nos tiver colocado, e perseverar em orações fervorosas... Nessa época haverá uma crise tão terrível que as pessoas acreditarão que chegou o fim do mundo. O sangue vai jorrar em muitas cidades grandes. Os próprios elementos entrarão em convulsão. Será como um pequeno Juízo Final.
Uma grande multidão perderá a vida nesses tempos calamitosos, mas os maus não prevalecerão. Eles de fato tentarão destruir a Igreja inteira, mas não lhes será concedido tempo suficiente, porque essa assustadora crise será de curta duração. Quando tudo se considerar perdido, tudo será salvo. Esse desastre se dará logo após o poder da Inglaterra começar a desaparecer. Isso será o sinal. Como a figueira quando começa a brotar e produzir folhas é um sinal certo de que o verão está próximo. A Inglaterra por sua vez vai experimentar uma revolução muito mais assustadora que a da França. Isso vai continuar por um tempo longo o suficiente para que a França recupere suas forças; então ela ajudará a Inglaterra a restaurar a paz e a ordem.
Durante essa revolução, que muito provavelmente será geral e não confinada à França, Paris será destruída tão completamente que vinte anos depois haverá pais passeando sobre suas ruínas com seus filhos, que lhes perguntarão que espécie de lugar era aquele, ao que responderão: "Meu filho, esta foi uma grande cidade que Deus destruiu em razão de seus crimes."

http://catholicprophecy.org

sábado, 7 de outubro de 2017

Cesare Pavese: Virá a Morte e Terá os Teus Olhos

Virá a morte e terá os teus olhos
esta morte que nos acompanha
de manhã à noite, insone,
surda, como um velho remorso
ou um vício absurdo. Os teus olhos
serão uma palavra inútil,
um grito calado, um silêncio.
Assim os vês toda manhã
quando sozinha te aproximas
ao espelho. Ó querida esperança,
nesse dia saberemos também nós
que és a vida e és o nada.
Para todos a morte tem um olhar.
Virá a morte e terá os teus olhos.
Será como largar um vício,
como ver no espelho
ressurgir um rosto morto,
como escutar lábios fechados.
Desceremos no remoinho mudos.


Tradução de Carlos Leite

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Animalismo


“Para os que consideramos que o respeito aos animais é uma obrigação humana irrenunciável, as reivindicações dos chamados ‘animalistas’ ou defensores dos direitos dos animais constituem uma constante interpelação. Segundo o movimento animalista, os animais não só merecem um trato ético e uma proteção legal, mas devem ser sujeitos de direitos. Talvez o primeiro animalista tenha sido o filósofo Jeremy Bentham, que escreveu em sua ‘Introdução aos princípios da moral e da legislação’ (1789): “Um cavalo ou um cachorro adulto é, para além de toda comparação, um animal mais racional e mais comunicativo que uma criança de um dia, ou de uma semana, ou até de um mês. Mas ainda que se supusesse que fosse de outra forma, que importaria? A questão não é se os animais podem raciocinar nem tampouco se podem falar, mas se podem sofrer”. E, em época muito mais recente, o australiano Peter Singer, em sua obra ‘Libertação animal’ (1975), postulou que a resistência a reconhecer direitos aos animais é comparável a fenômenos históricos tão reprováveis como a escravidão racial ou a discriminação sexual. Singer se opõe ao que denomina ‘especismo’; isto é, a que um ser vivo seja titular de direitos pelo mero fato de pertencer à espécie humana. Para Singer, deve-se tratar com igual consideração todos os seres capazes de sofrer; daí que, a seu juízo, a vida de um feto ou a de uma criança com problemas cerebrais não seja mais valiosa que a vida de um chimpanzé. Esta é a razão pela qual quase todos os animalistas são defensores mais ou menos entusiastas do aborto.
O animalismo se assentaria, pois, em uma ética radicalmente empirista, que transforma em sujeito de direitos qualquer ser com capacidade para sofrer, independentemente de que seja ou não racional. Não entraremos aqui a discutir se o sofrimento tal como humanamente o entendemos pode ser experimentado no mesmo grau sem consciência racional; pois a ninguém escapa que uma reação instintiva à dor (que é a que pode experimentar um animal) em nada se parece com o sofrimento do homem, que faz da dor uma experiência moral. A falha filosófica do animalismo é muito mais evidente: só pode ser titular de direitos quem possua uma correlativa capacidade para obrigar-se. Quando proclamamos que ao homem assiste um inalienável direito à vida, estamos proclamando também que o obriga o dever de respeitar a vida dos demais homens; quando defendemos o direito à propriedade, estamos condenando o furto, e assim sucessivamente. Todo direito exige uma obrigação correlativa; e os animais, como seres carentes de razão e de liberdade, não podem ser sujeitos de direitos e obrigações. Isto não significa, por suposto, que os animais devam ficar fora da esfera de proteção jurídica. O homem tem direito a ‘domínio justo’ sobre a natureza, posto ser o único ser que pode aproveitar racionalmente seus recursos; e, ao mesmo tempo, tem o dever de proteger essa natureza e os seres vivos que a povoam.
Aqui se pode opor que tampouco as crianças no ventre, ou as pessoas com deficiências psíquicas, podem assumir obrigações. Mas os reconhecemos como membros de nossa espécie, a quem cobrimos com o mesmo manto da proteção que outorgamos aos humanos plenamente conscientes. Para Singer isto é ‘especismo’; e, desde uma lógica puramente materialista, seu raciocínio é congruente. Pois o que o animalismo pretende, em última instância (utilizando mui astutamente álibis compassivos diante do sofrimento dos animais) é negar a unicidade do ser humano, que é considerado o resultado aleatório de uma evolução natural, e apagar os traços distintivos que o tornam uma criatura única, misteriosamente singular, entre todas as criaturas que povoam a Terra. Essa singularidade é a que permite ao homem justo olhar para os animais que povoam a terra e descobrir que são ‘bons’, esforçando-se em consequência por protegê-los; essa singularidade se denomina alma.
Quando essa singularidade que existe entre o homem e o restante das criaturas se elude ou se escamoteia (quase sempre por complexos e respeitos humanos) é impossível defender cabalmente certas causas; pois a lógica materialista acaba se impondo, implacável. Por medo de defender a existência da alma se perdeu a batalha contra o aborto, por exemplo; e pela mesma razão se imporão, inevitavelmente, as teses animalistas.”
(Juan Manuel de Prada, Animalismo)

domingo, 1 de outubro de 2017

Santo Tomás de Aquino se opunha a fronteiras abertas


“Em um surpreendentemente contemporânea passagem de sua Summa Theologica, Aquino observou que o povo judeu dos tempos do Velho Testamento não admitia visitantes de todas as nações igualmente, já que os povos mais próximos deles eram mais rapidamente integrados na população do que os não tão próximos.
Alguns povos antagonistas não eram admitidos em Israel devido a sua hostilidade em relação ao povo judeu.
A Lei "prescrevia em relação a certas nações que mantinham relações íntimas com os judeus", declarou o erudito, como os egípcios e os idumeus, "que fossem admitidos em comunhão com o povo após a terceira geração".
Cidadãos de outras nações "com quem suas relações haviam sido hostis", como os amonitas e os moabitas, "nunca seriam admitidos na cidadania".
"Os amalequitas, que ainda eram mais hostis a eles, e que não tinham irmandade de parentesco com eles, deveriam ser mantidos como inimigos em perpetuidade", observou Aquino.
Para o erudito, parecia sensato tratar as nações de maneira diferente, dependendo da afinidade de suas culturas com a de Israel, bem como suas relações históricas com o povo judeu.
Em seu comentário notavelmente matizado, Aquino também distinguiu entre três tipos de imigrantes no Israel do Antigo Testamento.
Primeiro eram “os estrangeiros que passavam por suas terras como viajantes", como os visitantes modernos com um visto de viagem.
Segundo, aqueles que "vinham morar em suas terras como recém-chegados", que aparentemente correspondiam a estrangeiros residentes, talvez com um green card, vivendo na terra, mas não com todos os benefícios da cidadania.
Um terceiro caso envolvia aqueles estrangeiros que desejavam "ser admitidos inteiramente em sua comunhão e modo de adoração". Mesmo aqui, lidar com aqueles que desejavam integrar-se plenamente à vida e ao culto de Israel exigia uma certa ordem, observou Aquino. "Porque eles não foram imediatamente admitidos na cidadania: assim como era lei com algumas nações que ninguém era considerado cidadão, exceto após duas ou três gerações".
"A razão para isso era que, se os estrangeiros tivessem permissão para interferir nos assuntos de uma nação, assim que se estabelecessem em seu meio", argumentou logicamente Aquino, "muitos perigos poderiam ocorrer, já que os estrangeiros que ainda não tinham o bem comum firmemente no coração poderiam tentar algo prejudicial ao povo".
Em outras palavras, Aquino ensinava que a integração total dos imigrantes na vida, linguagem, costumes e cultura (incluindo o culto, neste caso) era necessária para a cidadania plena.
Leva tempo para que alguém aprenda quais as questões que afetam a nação e as torne próprias, argumentou Aquino. Aqueles que conhecem a história de sua nação e têm vivido nela, trabalhando pelo bem comum, são os mais adequados para participar na tomada de decisões sobre seu futuro.
Seria perigoso e injusto colocar o futuro de uma nação nas mãos de recém-chegados que não compreendem completamente as necessidades e preocupações de seu lar adotivo.
Quando enfrentamos problemas contemporâneos, os legisladores modernos geralmente podem se beneficiar da sabedoria dos grandes santos e estudiosos que lidaram com versões dos mesmos problemas em épocas passadas.
As reflexões de Aquino revelam que problemas semelhantes existem há séculos - de fato, milênios – e que distinguir prudentemente entre nações e culturas não implica automaticamente preconceito ou discriminação injusta.
Às vezes, é apenas a coisa certa a fazer.”
(Thomas D. Williams, Why Saint Thomas Aquinas Opposed Open Borders)

Original em: http://www.breitbart.com

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

A angústia de um insone

“Desperto desconcertado, aturdido, pensando se realmente o que vivemos é somente um sonho, ou se perdi a capacidade de reação diante da asfixiante realidade.
Será que Deus nos abandonou, ou nos está castigando a todos? Sabemos que Deus faz chover sobre justos e pecadores. Será que isto estava escrito que tinha que se passar ou é simplesmente a consequência lógica da perversa sucessão de acontecimentos dos quais todos somos responsáveis?
O certo é que a realidade se faz difícil de suportar, e muito embora a maioria opte por abrir os olhos somente ao que não os comprometa, ainda restam aqueles que preferem tratar de continuar mantendo o senso comum, e não somente por uma questão de princípios, mas como uma maneira de não deslizar neste tobogã de autocondescendência que sabemos que cedo ou tarde conduz tanto ao inferno terrestre como ao supraterrestre. Mas neste manter-se com os pés real e verdadeiramente sobre a terra, enquanto mantemos a visão sobrenatural da existência também enfrentamos a constante tentação de passar ao desânimo e ao desespero. A solução que se nos propõe é aceitar que nossa postura possa ser demasiado rigorista e para solucioná-lo devemos optar por filtrar o que possa afetar nossa psique.
Como é duro ter que enfrentar todo dia assumindo que praticamente toda pessoa com a qual interagimos está tão envenenada por esta ficção na qual querem crer como realidade, que se deve recorrer ao silêncio como única maneira de continuar! Solidão em meio à multidão.
Certa vez me disseram que não há ninguém mais realista que os loucos, que seus medos são completamente razoáveis e que o problema deles é que não podem aceitar essa realidade ou não se sentem com forças suficientes para lidar com ela e daí sua alienação. E assim se luta por manter o equilíbrio entre manter a fé e a sanidade, ou negá-las para sobreviver.
No reinado mundial da estupidez, a nós se propõe a aceitação de inumeráveis falsos axiomas não somente como imperativo de subsistência, mas também como forma de fazer-nos perder a fé. Temos que renunciar ao que sabemos, ao que raciocinamos coerentemente, desaprender o bem aprendido, retroceder no caminho do amadurecimento para simplesmente relaxarmos e não nos impormos cargas maiores que as que supostamente podemos suportar.
O mundo não somente nos impõe a silente aceitação da nova construção da história e da realidade, mas também forçar o senso comum a níveis onde o risco de insânia é incrivelmente alto.
Entre os novos paradoxos do sistema mundial imperante, está o que pretende uma lealdade ao regime que necessariamente implique desonestidade para com os demais. Temos que saber que trabalhar para este sistema, negociar com ele, requer não somente fechar os olhos a suas fraudulentas manobras, como também participar de seus benefícios que tão generosa como coercivamente a nós se impõem para não se poder aduzir que estamos “livres de pecado” e sermos dessa forma cúmplices. Assim a honestidade se torna divisível, fiéis aos que nos beneficiam, infiéis ao restante da massa que também faria o mesmo se estivesse em nosso lugar, à verdade, a Deus e a nós mesmos. E assim, esta desonesta honestidade ao regime, que se nos apresenta como a única possibilidade de trabalhar, de negociar, de “comprar e vender”, nos conduz irremediavelmente à anulação permanente de nossa possibilidade de pensar ou pensarmo-nos coerentemente. Uma vez mais se quer apresentar-nos este ocaso do senso comum como a forma menos perigosa de subsistir, mas o preço a pagar implica apagar tantas luzes em nossa inteligência, que enfrentar o caminho do futuro imediato às cegas significa igualmente o abandono da sanidade em prol da manutenção do conforto ou da subsistência mesma.
Sendo assim, qual é o caminho, se manter o senso comum baseado em nossa fé pode ser asfixiante, e não o fazer também nos leva à consciente colaboração com um sistema que cedo ou tarde sabemos cabalmente que nos devorará a todos?
Será que duvidamos da Graça? Será que realmente nos falta a fé? Certamente que ambas as perguntas podem ser respondidas afirmativamente, e a resposta parece antes encontrar-se no erro de tratar de ter fé mas somente através da razão, de confiar demasiado em nosso “senso comum” e por conseguinte em nossas forças, o que ainda implica involuntariamente em desconfiar da Graça. Talvez seja preciso mais recolhimento, ainda mais solidão, talvez buscar e confiar somente no que e em Quem verdadeiramente importa, deixando que o resto venha por acréscimo; e talvez seja também, somado ao anterior, questão de descansar um pouco melhor.”

Original em http://nacionalismo-catolico-juan-bautista.blogspot.com.br

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Machado de Assis e algumas questões atuais (em torno dos contos A Igreja do Diabo e Manuscrito de Um Sacristão)

“Machado de Assis sempre nos obriga a pensar e a tirar alguma conclusão. E isto não só em suas obras maiores, mas também em seus escritos mais singelos. E nas horas vagas, para fugir ao tédio, recompor-se das agruras e espairecer o espírito, reler algumas das suas páginas é uma boa opção. (Espero não ser mal interpretado ou acusado de propor Machado de Assis como livro de meditação espiritual ou alternativa à oração cristã!)
Infelizmente, entre muitos católicos, há certa prevenção contra o grande escritor, considerado, injustamente, como um ímpio, um agnóstico inimigo da religião. Parece-me que para essa falsa opinião sobre Machado de Assis muito concorreram alguns artigos de Jackson de Figueiredo (Cf. Hamilton Nogueira, Jackson de Figueiredo, 1976), bem como o interessante estudo de Dom Hugo Bressane de Araújo, O aspecto religioso da obra de Machado de Assis.
Na verdade, como o fez ver muito bem Miguel Reale em A filosofia na obra de Machado de Assis, o fundador da Academia Brasileira de Letras jamais se ufanou do seu agnosticismo, pelo contrário, em algumas passagens de sua lavra, deixou transparecer uma ânsia pelo eterno. Contudo, deve-se dizer que não é um autor recomendável para qualquer um. O que é remédio para uns pode ser veneno letal para outros. Se Machado de Assis não foi um mestre da boa doutrina, um guia no caminho das virtudes cristãs (e realmente não o foi), isto não significa que tenha sido um deformador, um corruptor dos espíritos. Quem tiver boa vontade e capacidade intelectual poderá sempre extrair boas lições da sua obra.
No saboroso conto A Igreja do Diabo, com seu senso de humor tão peculiar, Machado de Assis me fez pensar nos modernistas desejosos de agora, sob o patrocínio do bispo de Roma papa Bergoglio, querer organizar a sua Igreja. Com efeito, Machado de Assis narra que o Diabo, certo dia, apesar dos seus lucros contínuos e grandes, resolveu fundar a sua Igreja. Estava cansado de tanta improvisação, de não ter nada fixo, nada regular. O Diabo diz: “Enquanto as outras religiões se combatem e se dividem, a minha igreja será a única; não acharei diante de mim nem Maomé nem Lutero.”
Realmente, essas palavras colocadas por Machado na boca do Diabo me reportaram ao sonho dos progressistas de organizar sua religião universal a expensas dos chamados fundamentalistas, tradicionalistas e restauracionistas que, segundo eles, ficam discutindo o sexo dos anjos a pretexto de defender a integridade da fé.
Outra passagem que me fez lembrar dos progressistas, especialmente do Hans Kung e do cardeal Martini, foi o diálogo do Diabo com o Senhor Deus. Diz-lhe o Espírito das trevas que o céu ficaria uma casa vazia, tal o preço de entrada. Então ele fundaria uma igreja capaz de acolher todo tipo de gente. Não seria exclusivista, aceitaria todos, menos os que não fossem nada. Assim também os progressistas dizem que só os integristas devem ficar de fora, porque esses não são nada.
Ora, essas palavras do Diabo são reproduzidas quase que literalmente pelos progressistas de hoje. Hans Kung encheu-se de esperança com a eleição de Bergoglio porque achou que era chegada, finalmente, a hora de fundar a sua igreja que atrairia as multidões que renegaram a fé. Martini, em suas meditações de Jerusalém disse que a ética sexual católica tradicional tinha de ser abandonada e a Humanae Vitae, substituída por um novo documento. O Diabo, também, no conto de Machado de Assis, propõe a reforma completa do Decálogo e a canonização de todos os vícios.
Mas o notável no conto A Igreja do Diabo é a análise da psicologia humana. No final, o Diabo fica decepcionado porque os homens, que a princípio tinham aceitado a sua igreja permissiva e relaxada, voltavam à prática dos antigos valores morais. O Diabo ficou assombrado, sem entender nada (Hoje os próceres do progressismo da época do Vaticano II também estão atônitos diante dos jovens que querem a Missa tradicional). Machado de Assis tenta explicar o fato pela lei da eterna contradição humana. Teria sido mais feliz se dissesse com Platão que a injustiça não pode ser levada às últimas consequências, sob pena de autodestruição. Assim também a igreja progressista caminhará para sua autodestruição se não responder às verdadeiras aspirações do coração humano pelo bem, pelo belo e pelo verdadeiro.
No conto Manuscrito de um sacristão, que a um leitor despreparado poderá parecer talvez uma zombaria do celibato sacerdotal, na verdade se encerra uma fina lição de psicologia sobre a origem e desenvolvimento dos afetos do coração humano. A historieta da amizade entre os primos padre Teófilo e Eulália, amizade que evolui para um romance e termina com a fuga do padre que não quer prevaricar, serve de motivo para reflexão sobre o dever moral de guardar o coração e vigiar sobre os sentimentos. Esse conto de Machado de Assis, longe de ser uma chacota, aponta para o problema da virtude da amizade e da vocação sacerdotal. Teófilo fora encaminhado para o seminário pela família, que tinha por tradição sempre contar com um padre. O conto dá a entender que na infância podia ter havido alguma amizade entre os primos. Depois de muitos anos ambos se revêem numa igreja e renasce o sentimento. Primeiro, a amizade, depois, o amor e, finalmente, para não haver pecado, a fuga do padre Teófilo. Fica, portanto, uma lição de cumprimento do dever, além da advertência sobre a necessidade de controlar os afetos por meio da prudência e outros remédios da graça.
Sem amizade, sem amor, ninguém vive. Estes sentimentos devem ser vividos conforme a lei de Deus e conforme o estado de vida de cada um: jovem, adulto, solteiro, viúvo, casado, consagrado à vida religiosa pelo celibato sacerdotal. A amizade, é claro, supõe afinidade, comunhão de idéias e sentimentos, reciprocidade, lealdade, mas exige, para o seu próprio bem e preservação, que toda familiaridade seja evitada. Manuscrito de um sacristão ajuda a refletir sobre essas coisas e outros problemas das relações humanas no mundo de hoje, que ameaça a saúde dos afetos do coração do homem por meio do abuso das redes sociais da internet.
Para remate, diga-se que, se na obra de Machado de Assis há alguma coisa em desarmonia com os ensinamentos da Igreja, nela o que há de bom, belo e verdadeiro (e há muito) é, certamente, um reflexo do Verbo Eterno de que o grande escritor se nutriu em suas leituras bíblicas apesar de não ter fé.”

http://santamariadasvitorias.org

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Pe. Julio Meinvielle sobre os judeus‏


“Quem pode ocupar-se do judeu sem um sentimento de admiração e desprezo, ou de ambos ao mesmo tempo? Povo que um dia nos trouxe a Cristo, povo que o rejeitou, povo que se infiltra no meio de outros povos, não para conviver com eles, mas para devorar insensivelmente sua substância; povo sempre dominado, mas povo pleno sempre de um desejo insolente de dominação... (…) Os judeus dominam nossos governos como os credores a seus devedores. (…) Esta dominação se faz sentir nos ministérios de Instrução Pública, nos planos de educação, na formação dos professores, na mentalidade dos universitários; o domínio judeu se exerce sobre a banca e sobre os consórcios financeiros, e todo o complicado mecanismo do ouro, das divisas, dos pagamentos, se desenvolve irremediavelmente sob este poderoso domínio; os judeus dominam as agências de informação mundial, os jornais, as revistas, os panfletos, de modo que as massas vão forjando sua mentalidade de acordo com os moldes judaicos; os judeus dominam no amplo setor das diversões, e assim eles impõem as modas, controlam os lupanares, monopolizam o cinema e as estações de rádio, de modo que os costumes dos cristãos vão-se modelando de acordo com suas imposições. Onde o judeu não domina? Aqui, em nosso país, que ponto vital há em nossa região onde o judeu não se esteja beneficiando com o melhor de nossa riqueza ao mesmo tempo que está envenenando nosso povo com o mais nefasto das idéias e diversões? Buenos Aires, esta grande Babilônia, nos oferece um exemplo típico. Cada dia é maior seu progresso, cada dia é maior também nela o poder judaico. Os judeus controlam aqui nosso dinheiro, nosso trigo, nosso milho, nosso linho, nossas carnes, nosso pão, nosso leite, nossas incipientes indústrias, tudo quanto pode produzir utilidade, e ao mesmo tempo são eles que semeiam e fomentam as idéias dissolventes contra nossa Religião, contra nossa Pátria e contra nossos Lares; são eles que fomentam o ódio entre patrões e trabalhadores cristãos, entre burgueses e proletários; são eles os mais apaixonados agentes do socialismo e comunismo; são eles os mais poderosos capitalistas de toda boate e cabaré que infecta a cidade.
Dir-se-ia que todo o dinheiro que nos arrebatam os judeus da fertilidade de nosso solo e do trabalho de nossos braços será logo investido em envenenar nossas inteligências. E o que aqui observamos se observa em todo lugar e tempo. Sempre o judeu, levado pelo frenesi da dominação mundial, arrebata as riquezas dos povos e semeia a desolação. Dois mil anos leva nesta tarefa a tenacidade de sua raça, e agora está a ponto de alcançar uma efetiva dominação universal.”
(Pe. Julio Meinvielle, El Judío)

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Entrevista de Dom Faure no primeiro aniversário da SAJM (22 de agosto de 2017)


“Sua Excelência, o que é a SAJM e qual é seu espírito?
A SAJM que ser a continuação da obra e o combate de Dom Lefebvre em sua fidelidade à fé de sempre. Nesta profunda crise da Igreja, a SAJM está particularmente destinada a proteger a vida sacerdotal e manter o fervor dos futuros sacerdotes.
Por que escolheu este nome?
Em 17 de junho de 1970, Dom Lefebvre firmou o projeto dos estatutos da “Fraternidade dos Apóstolos de Jesus e Maria”. Daí vem o nome. Essa é a denominação interna da congregação fundada por ele. Conservando esse nome, quisemos honrar a memória de Dom Lefebvre.
Dom Faure, quando e em que circunstâncias se fundou a nova congregação?
Faz um ano exatamente, na festa do Coração Imaculado de Maria, depois de vários sacerdotes e seminaristas terem manifestado a necessidade de ter um superior, uma regra etc.; que é o que tivemos sempre na fraternidade fundada por Dom Lefebvre.
Que semelhanças e diferenças há entre a SAJM e a FSSPX?
O espírito dos estatutos são praticamente iguais, mas no que diz respeito às diferenças, devemos ter em consideração a evolução catastrófica da FSSPX e esta observação de Dom Lefebvre, depois de ter lido a obra de Emmanuel Barbier Histoire du catholicisme liberál et du catholicisme social na França: “Se eu tivesse lido esta obra antes, teria dado a meus seminários outra orientação”. Com isto se referia à necessidade de uma orientação mais antiliberal.
Os estatutos da SAJM são os mesmos que Dom Lefebvre redigiu para a FSSPX?
Os estatutos da SAJM são essencialmente iguais aos que Dom Lefebvre redigiu para a Fraternidade, com algumas adequações que consideramos necessárias, observando o desvio da FSSPX. Um exemplo está no seguinte ponto que acrescentamos: “Desde o Concílio Vaticano II, o santo Sacrifício da Missa, a doutrina católica e toda a vida da Igreja são atacados pela hierarquia liberal e modernista. Porque o sacerdócio católico tem o dever essencial de combater o liberalismo e o modernismo em defesa dos direitos divinos violados, a Sociedade descarta toda possibilidade de regularização canônica por via de acordo bilateral, de reconhecimento unilateral, ou do modo que seja, enquanto a hierarquia católica não volte à Tradição da Igreja” (Cap. II,nº 5).
Excelência, como foi o desenvolvimento do seminário da SAJM?
Decidi a criação do Seminário São Luís Maria Grignion de Montfort tão logo fui consagrado, recordando aquelas palavras de Dom Lefebvre em seu “Itinerário espiritual”: “Uma coisa somente é necessária para a continuação da Igreja católica: bispos plenamente católicos, sem nenhum compromisso com o erro, que estabeleçam seminários católicos, onde os jovens aspirantes se alimentem do leite da verdadeira doutrina, de seus corações; uma fé viva, uma caridade profunda, uma devoção sem limites os unirão a Nosso Senhor”.
Todas as obras de Deus conhecem algumas dificuldades nos princípios, contudo, contamos com uns seis novos seminaristas a cada não, o que, nas circunstâncias atuais, parece ser uma benção de Deus.
Constituem o corpo professoral os padres dominicanos de Avrillé (França), e isto é garantia de uma perfeita ortodoxia e de uma formação claramente antiliberal.
Os seminaristas, ao passar a maior parte do dia no convento dos dominicanos, são formados no clima de santa austeridade que é própria dos religiosos. Lá assistem aos distintos cursos e pela tarde retornam ao seminário, que é muito próximo ao convento.
A partir deste ano, contaremos, ademais, com dois sacerdotes da congregação que nos ajudarão no seminário.
Quem integra atualmente a congregação?
Por ora, contamos com dois bispos, três sacerdotes e cinco seminaristas.
A cada ano, no segundo ano de seminário, quando recebem a tonsura, os seminaristas se incardinam na congregação.
Dom Faure, como um sacerdote pode se tornar membro da SAJM?
Basta que manifeste seu desejo, entrando em contato comigo e elevando a correspondente solicitude.
Como um jovem pode ingressar no seminário da SAJM?
Do mesmo modo. Normalmente os candidatos devem entrar em contato prévio com os sacerdotes da Resistência que desenvolvem seu apostolado nos países onde os postulantes vivem.
Haverá uma Ordem Terceira na SAJM?
Haverá, tal como foi criada para a Fraternidade por Dom Lefebvre.
O que espera Sua Excelência da SAJM no futuro?
Que assegure a continuação da obra de Dom Lefebvre com a maior fidelidade aos lineamentos que nos legou o Arcebispo, sem desviar-se à direita ou à esquerda (Pr. 4,27).
Há algo mais que Sua Excelência queira nos dizer sobre a SAJM?
Gostaria de destacar que nossa congregação não por acaso foi fundada no dia da festa do Coração Imaculado de Maria, e que foi consagrada também ao Sagrado Coração de Jesus. Levamos em nosso nome os Nomes de Jesus e Maria, e isto funda e marca nossa espiritualidade.
A FSSPX teve a mesma vocação, representada, em seu logotipo, pelos corações entrelaçados da Vendeia, mas a Fraternidade está traindo essa vocação ao buscar uma reconciliação com os inimigos de Jesus e Maria.
Nossa esperança está somente n’Eles. Deus queira que nossa pequena congregação se mantenha sempre fiel e sempre humilde, sem presunções de grandeza, a fim de que todo o que ela faça seja para a glória de Jesus e Maria.”

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